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Início seta Direito e Sociedade seta Breves: Quinta, 05 Julho 2007
Breves: Quinta, 05 Julho 2007 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
04-Jul-2007

LAVAGEM DE DINHEIRO NO ALGARVE
A Ordem dos Notários comunicou ao Ministério Público 59 negócios suspeitos de branqueamento de capitais, a maioria dos quais realizados no Algarve. Segundo apurou o Correio da Manhã, grande parte das transacções denunciadas relacionavam-se com a compra de casas de luxo que seriam pagas com dinheiro "à vista" ou através de sociedades off-shore. Esta forma de pagamento alertou os notários que comunicaram ao Ministério Público os negócios suspeitos efectuados nos últimos dois anos. Muitas destas comunicações resultaram em procedimentos criminais, que se encontram actualmente em investigação pela Polícia Judiciária (PJ), detectando-se a actividade de redes mafiosas, algumas com grande actividade no país vizinho.Alguns protagonistas dos investimentos denunciados no Algarve estão relacionados directa ou indirectamente com elementos identificados pela Polícia espanhola em três grandes operações contra o crime de branqueamento de capitais e que tiveram o seu epicentro em Marbelha: operações "Ballena Blanca", "Malaya" e "Hidalgo" de que resultaram mais de 200 detenções. Numa destas operações foram detidos vários cidadãos de nacionalidade russa e ucraniana que se preparavam para comprar imóveis no Sul do País.Além da compra de imóveis, foram comunicadas também às autoridades policiais a constituição de várias sociedades anónimas com sedes em off-shore e operações de cessão de quotas entre empresários considerados bastante suspeitos.
A escolha do Algarve para a lavagem de dinheiro está directamente relacionada com as medidas tomadas por Espanha no final de 2006 (na sequência das operações policiais referidas anteriormente), no sentido de identificar os meios de pagamento utilizados na realização de negócios que exijam a celebração de escritura pública.
As escrituras públicas de compra e venda de casa podem passar, obrigatoriamente, a ter que identificar o meio de pagamento. Trata-se de uma novidade copiada do país vizinho e que se encontra em estudo na Comissão contra o Branqueamento de Capitais, a qual reúne elementos da Polícia Judiciária, dos Impostos, dos advogados, dos solicitadores e do Ministério das Finanças. O objectivo é, além de identificar as partes contraentes e o objecto do negócio, saber se ele foi realizado (no todo ou em parte) através de "dinheiro vivo", cheque (identificando o número do mesmo, o banco sacado e se o título é nominativo ou ao portador) ou transferência bancária (exibindo neste caso os comprovativos dos movimentos das contas). Será preciso também identificar se o dinheiro foi recebido antes ou no momento da outorga da escritura. Todos estes elementos foram introduzidos na legislação espanhola, no final de Novembro de 2006, na sequência das operações "Malaya", "Hidalgo" e "Ballena Blanca" contra o branqueamento de capitais.
REGISTO COMERCIAL. Com as medidas de simplificação do Governo (Empresa na Hora) deixou de haver um controlo pelos notários e conservadores em relação à constituição de empresas.
CESSÃO DE QUOTAS. Vários negócios de cessão de quotas entre marido e mulher (proibidos por lei) estão a ser registados nas conservatórias do Registo Comercial, apesar de se tratar de actos nulos.
USURPAÇÃO.  possibilidade de uma pessoa efectuar uma escritura pública sendo a sua identidade abonada por duas testemunhas já causou vários casos de usurpação de identidades, que levaram à realização de negócios que se encontram por resolver em Tribunal.
Correio da Manhã

NOVAS LEIS EM SETEMBRO
O Governo espera aprovar em Conselho de Ministros, até final de Setembro, duas propostas legislativas que ameaçam incendiar o debate político: a nova lei de segurança interna e a lei de organização da investigação criminal. A primeira é mais polémica.
O actual Gabinete Coordenador de Segurança vai ser extinto e será criado o Serviço Integrado de Segurança interna - o célebre SISI -, que terá um secretário-geral equiparado a secretário de Estado directamente dependente do primeiro-ministro. E é esta natureza eminentemente política do cargo a fonte de toda a polémica.
Mas, já hoje, o secretário-geral do Gabinete de Segurança Interna, tenente-general Leonel de Carvalho, depende do primeiro-ministro - muito embora, desde a primeira hora, seja tutelado pelo ministro da Administração Interna por delegação de competências. O futuro secretário-geral do SISI continuará na tutela directa do chefe do Governo e será equiparado a secretário de Estado - estatuto que dá maior dignidade ao cargo.
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, recusa discutir o perfil adequado ao cargo de "patrão" do SISI: será um procurador do Ministério Público, um juiz ou um polícia? A nomeação apenas será ponderada depois de Setembro, quando a lei for aprovada em Conselho de Ministros.
O CANDIDATO terá de saber aliar a capacidade política ao conhecimento técnico das matérias de segurança. Muito provavelmente, segundo uma fonte que pede para não ser identificada, o actual secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, tenente-general Leonel de Carvalho, será nomeado para o novo cargo - escolha que permitiria diluir as inevitáveis suspeitas de governamentalização do Serviço Integrado de Segurança Interna, que terá poderes acrescidos na coordenação de todas as forças de segurança e, sobretudo, na centralização e partilha de informações criminais. Leonel de Carvalho faz o pleno no Bloco Central: já resistiu a quatro chefes de Governo e a muitos mais ministros da Administração Interna. Tem larga experiência policial: ainda coronel, por exemplo, comandou as forças da GNR que intervieram nas manifestações na Ponte 25 de Abril, em 1994 - nos piores dias do cavaquismo.
Revista Sábado

JUÍZES LIBERTADOS DE TAREFAS ADMINISTRATIVAS
Os juízes vão deixar de executar várias tarefas administrativas ligadas aos processos, passando estas a ser desempenhadas pelos funcionários judiciais, libertando assim os magistrados para as suas funções de julgar.
A intenção do Governo, a concretizar-se no âmbito da reforma do mapa judiciário, foi expressa ontem à Lusa pelo secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Conde Rodrigues, que se deslocou à Polónia, onde este modelo de agilizarão da justiça está em julgamento.
Segundo o secretário de estado, "é possível que Portugal caminhe no mesmo sentido (que a Polónia) quando for aplicado o novo mapa judiciário".
Público

JUIZ DO «SACO AZUL» LAMENTA LIMITAÇÕES PROCESSUAIS
José Castro, juiz-presidente do julgamento do caso do "saco azul" do PS de Felgueiras, fez ontem uma breve intervenção que deixou muita gente a pensar sobre o seu significado. O tema era a determinação da origem dos fluxos financeiros para o "saco azul" e o magistrado judicial afirmou: "Quem faz estas coisas não o faz através de registos na sua contabilidade", acrescentando que "é uma pena não podermos aceder a meios de prova que estão no inquérito".
O desabafo do magistrado judicial não motivou qualquer reacção da bancada da defesa, mas parecia deixar subentender alguma preocupação pelo facto de, no processo penal português, a prova se fazer na audiência e só poderem ser reproduzidas afirmações prestadas, durante o inquérito, perante o juiz de instrução. E ocorreu quando o advogado da empresa Resin, João Nabais, perguntou de que se estava a falar após Amadeu Magalhães, perito financeiro e de contabilidade da Polícia judiciária, ter declarado que "há situações que extravasam a própria contabilidade".
Na esteira do outro perito da Inspecção-Geral de Finanças que terminou o seu depoimento na penúltima sessão, Amadeu Magalhães reiterou por várias vezes ter conseguido apurar um nexo entre três pagamentos da Câmara de Felgueiras à empresa Norlabor em outros tantos cheques no montante de 15.581 euros emitidos entre Junho de 1997 e Outubro de 1998. Mas, acrescentou, não foi capaz de determinar uma relação entre aqueles pagamentos e entregas de milhares de contos em numerário para o "saco azul", gerido através de uma conta aberta no BES, por onde passaram cerca de 60 mil contos (300 mil euros).
Ao procurador da República Pinto Bronze, Amadeu Magalhães apenas conseguiu garantir a existência de "coincidências" entre as duas últimas entregas e frases escritas em dois manuscritos que estavam nas malas com dinheiro em numerário e que foram entregues aos investigadores por Horácio Costa, ex-assessor de Fátima Felgueiras. Segundo o perito, há semelhanças entre o valor que Costa diz ter recebido em notas e o dos dois últimos cheques pagos pela câmara à Norlabor.
João Nabais procurou, em vão, que Amadeu Magalhães encontrasse diferenças entre os manuscritos, ao passo que, numa atitude um pouco mais radical, Artur Marques não descartou a hipótese de os referidos manuscritos resultarem de uma montagem, consumada em 2000.
Público

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