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As situações de
contencioso entre os contribuintes e a administração fiscal deverão
poder passar a ser resolvidas através de arbitragem. Esta possibilidade
foi ontem anunciada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais,
prevendo-se que venha a constar do novo Código de Processo Tributário,
cujo processo de revisão está a ser ultimado.
Carlos Lobo é
favorável à arbitragem no contencioso fiscal (reclamações graciosas e
impugnações judiciais) e adiantou na Comissão Parlamentar de Orçamento
e Finanças - onde se deslocou para debater o relatório contra a fraude
e evasão fiscais - que este processo de mediação está a ser equacionado
no novo Código, quer em relação aos novos processos quer para os que já
estão em curso.
Em aberto está ainda a criação de um novo modelo de
conciliação. Sem entrar em pormenores - porque esta matéria da
arbitragem e conciliação tem ainda de ser discutida com o Conselho
Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais -, o secretário de
Estado disse que algumas matérias, como a definição de taxas ou de
benefícios fiscais, ficarão fora da alçada da arbitragem.
Nesta sua
ida ao Parlamento, Carlos Lobo adiantou também que os contribuintes
envolvidos na "Operação Furacão" já pagaram voluntariamente 34 milhões
de eu os de impostos detectados em falta. Este pagamento, referiu,
serve de atenuante mas não os iliba dos crimes.
A nova legislação
sobre esquemas de planeamento fiscal agressivo foi uma das matérias
alvo de várias questões e críticas (no atraso, já que só entra em vigor
em Maio) por parte dos deputados, tendo o governante precisado que o
novo quadro legal vai ser acompanhado de uma portaria com a elencagem
dos movimentos que poderão ser considerados planeamento fiscal
agressivo. "Trata-se de uma ajuda às empresas", referiu.
Em 2007, a
administração fiscal fez pouco mais de um milhar de levantamentos de
sigilo bancário, número que para o PCP e para o BE foi considerado
reduzido e que levou deputados de vários partidos a questionar o
secretário de Estado sobre eventuais mexidas nesta matéria. Carlos Lobo
afirmou que o actual regime de quebra do sigilo bancário é "adequado e
equilibrado, remetendo eventuais alterações para o médio prazo. Sobre
as áreas que vão ter a atenção do fisco em 2008 - construção civil,
mediação imobiliária, planeamento fiscal de grandes empresas e sistema
financeiro - Carlos Lobo adiantou que ao nível da banca a administração
fiscal vai dar especial atenção aos produtos estruturados.uestionado
ainda sobre a lista de dados bancários do Liechtenstein, revelou que o
Governo alemão (que a comprou) a vai divulgar.
JORNAL DE NOTÍCIAS | 27.03.2008
Finanças estudam forma de libertar tribunais fiscais:
A arbitragem fiscal está a ser discutida com o Conselho Superior dos Tribunais Fiscais.
O Governo está a estudar a introdução da arbitragem
tributária para a resolução dos conflitos entre o Fisco e os
contribuintes. O objectivo? Reduzir o número de processos parados
durante anos nos tribunais e acelerar a resolução dos mesmos. O
secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo, afirmou ontem
na Assembleia da República que ` o novo código do processo tributário
já está quase concluído e só falta a questão da arbitragem". À margem
da audição na Comissão de Orçamento e Finanças, o responsável afirmou
que "os métodos estão a ser preparados com o Conselho Superior dos
Tribunais Administrativos Fiscais". A arbitragem envolve a nomeação de
um ou de três árbitros nomeados pelas partes envolvidas. No entanto,
Carlos Lobo não adiantou pormenores em relação a esta medida como o
tipo de processos que podem ser resolvidos através da arbitragem fiscal
ou quando é que poderá entrar em vigor.
Mas a medida não é
consensual entre os especialistas. O fiscalista Diogo Leite Campos
defende que "hoje é relativamente consensual a necessidade de criar a
arbitragem fiscal". O especialista afirma que há que acautelar a forma
como os árbitros são nomeados. "Os árbitros deviam ser nomeados por
entidades independentes e deviam ser externos à Administração
Tributária", afirma. O fiscalista sugere ainda a criação de um Conselho
de Arbitragem fiscal como forma de garantir a independência e o bom
funcionamento da arbitragem.
Já o ex-secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais, Rogério M. Fernandes Ferreira, afirma que, "ainda que
a medida tenha o mérito de permitir a diminuição das pendências fiscais
em tribunal, poderá comprometer a segurança e as garantias dos
contribuintes, se os métodos adoptados não forem os mais adequados". O
fiscalista acrescenta que, ao adoptar esta alternativa, o Estado está
"a demitir-se das suas funções".Quanto às garantias dos
contribuintes como os prazos de prescrição das dívidas e de caducidade
das garantias dadas pelos contribuintes para impedir que uma penhora
avance, Carlos Lobo, disse que primeiro tem de se resolver a questão
dos tribunais. "Dêem-me um ano e vamos reponderar estas matérias",
afirmou, referindo-se à reintrodução da caducidade das garantias e dos
prazos de prescrição de dívidas fiscais". Quanto a alterações à lei do
sigilo bancário, Carlos Lobo afastou a hipótese de alterar, para já, a
legislação. "Defendo que a legislação seja relativamente estável",
afirmou. Porém, o responsável reconheceu que "no médio prazo, e com a
melhoria do sistema informático, se podem introduzir alterações".
Fisco atento ao sector bancário durante 2008
A Administração Tributária vai estar particularmente
a tenta ao sector da banca durante este ano. Este é mais um dos
sectores a somar aos já anunciados que estarão na mira do Fisco em
2008. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afirmou que, além da
taxa efectiva de IRC paga pela banca, a Direcção-Geral dos Impostos
(DGCI) vai ter em atenção os produtos oferecidos pelos bancos. "Estou
preocupado com produtos estruturados oferecidos pelos bancos, que não
são 'offshores’, mas que são semelhantes", afirmou Carlos Lobo. Este
ano, o Fisco espera recuperar este ano, 1,23 mil milhões de euros em
IRC graças a correcções à matéria colectável de bancos, empresas e
seguradoras. De acordo com o plano de actividades para 2008, a Direcção
de Serviços de Inspecção Tributária volta a estabelecer como principal
objectivo "acompanhar permanentemente o comportamento tributário das
grandes empresas, em geral, e do sector financeiro, em particular".
Alemanha vai divulgar a lista do Liechenstein
O Governo alemão vai divulgar a lista que contém nomes de entidades que têm contas no paraíso fiscal do Liechenstein. Carlos
Lobo admitiu que as autoridades portugueses mantiveram contactos com o
Governo alemão e adiantou que as autoridades germânicas optaram "por
uma divulgação generalizada da lista". Os dados sobre os suspeitos
caíram nas mãos do fisco alemão por via dos serviços secretos alemães,
BND, que pagaram pelo hoje famoso DVD a um informador no Liechtenstein
a quantia de cinco milhões de euros, dos quais deduziram cerca de 700
mil euros de impostos devidos ao fisco alemão pela transacção. De
imediato, levantou-se a questão da legalidade da obtenção de dados
roubados por um ex-empregado do banco LGT no Liechtenstein para fins de
perseguição de cidadãos alemães. Este procedimento já levou à
apresentação de várias queixas em tribunais contra o Estado.
DIÁRIO ECONÓMICO | 27.03.2008
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