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Portugal fará “reajustamentos cirúrgicos” na legislação nacional para
cumprir com uma futura norma europeia que prevê apoio jurídico gratuito
aos imigrantes com ordem de expulsão, garantiu ontem o secretário de
Estado adjunto e da Administração Interna.
“Na altura própria e na medida necessária para contemplar todas as
situações tipificadas na futura Directiva de Retorno, serão feitos
reajustamentos cirúrgicos no quadro jurídico nacional referente ao
apoio jurídico aos cidadãos em causa”, disse José Magalhães. Segundo o
governante, se o acordo sobre a futura lei comunitária sobre o
repatriamento de imigrantes ilegais obtiver “assentimento do Parlamento
Europeu [PE] nos termos aprovados pelo Conselho, Portugal ajustará o
quadro legal vigente para cumprir rigorosamente a norma que garante
apoio jurídico gratuito”.
Até à data, o Governo tinha sempre afirmado que a adopção da Directiva
de Retorno - que pretende harmonizar a regulação das diferentes
políticas de imigração dos 27 e conceder-lhes mais poder para poderem
repatriar imigrantes ilegais - não iria afectar os diversos regimes
contidos no quadro jurídico nacional e que estes iriam continuar a ser
aplicados em Portugal.
“A directiva estabelece níveis mínimos em relação aos direitos
concedidos aos imigrantes em situação ilegal. Os níveis de protecção
nacionais portugueses, que são claramente superiores, mantêm-se. Não
irá haver nenhuma modificação por causa da aprovação da directiva”,
disse o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, na quinta-feira
passada.
Na altura, no final de uma reunião de ministros do Interior da União
Europeia (UE), em Bruxelas, na qual os 27 chegaram a acordo sobre o
texto final da futura lei comunitária (a aprovar pelo PE), e
referindo-se ao artigo sobre o apoio a imigrantes ilegais com ordem de
expulsão, Rui Pereira disse que o mesmo “já está previsto pela lei
portuguesa”.Este artigo, que o PE reclamava que fosse obrigatório e
alguns países facultativo, prolongou as negociações entre os
Estados-membros, tendo os responsáveis políticos - face à eventualidade
de um “chumbo” do Parlamento Europeu - chegado a um compromisso que
prevê que os 27 devem assegurar assistência gratuita conforme as
disposições internas ou de acordo com a legislação europeia para os
refugiados.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 11.06.2008
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