PADRINHOS CIVIS SÃO NOVO MODELO E ACOLHIMENTO
A padrinhamento
civil. É assim que irá chamar a nova modalidade para acolhimento de
crianças e jovens em risco. Semelhante ao regime jurídico da adopção
restrita - em que o adoptado mantém o nome e o contacto com a família
biológica -, os padrinhos detêm o poder paternal sobre o menor que,
caso o Tribunal não impeça, terá direito a ser visitado por parentes.
"É
uma designação que sugere a figura do padrinho e da madrinha que
substituem os pais quando estes faltam", explicou ao JN, o presidente
do Observatório Permanente da Adopção.
Guilherme Oliveira
confirmou que a criança "mantém completamente" o contacto com a família
natural que pode acompanhar a sua educação e evolução escolar. Isto, se
não houver uma decisão do Tribunal em contrário.
Para Jorge
Soares, 39 anos, pai biológico e adoptivo, residente em Setúbal, esta
modalidade não vai ter muitas adesões. "Não acredito que resulte. As
pessoas com quem tenho falado rejeitam esta solução dúbia. Ninguém foi
receptivo".
"Quem quer adoptar, quer ter um filho. A verdade é
que o maior terror de quem adopta é que um dia alguém bata à porta,
diga que é familiar da criança e que a quer de volta", refere o
informático, em cujo blogue aborda esta temática.
"Estas
crianças são oriundas de famílias problemáticas com histórias de vida
complicadas e que a muitas vezes nem são razoáveis" quanto ao que é
melhor para a criança, diz. A nova figura jurídica - uma modalidade
recentemente criada em Inglaterra - que será ainda ultimada antes de
ser entregue aos ministérios (da Solidariedade e da Justiça) prevê que
a criança não tenha direitos sucessórios, ou seja, não seja herdeiro do
padrinho.
Padrinhos podem ser um candidatos singulares ou casais,
entre os18 e os 65 anos, a não ser que já haja um elo afectivo com a
criança. Não terá direito ao subsídio de manutenção, como as famílias
de acolhimento, mas a criança fica à sua guarda para sempre e não por
um período temporário.
Guilherme Oliveira disse ainda ao JN que
os peritos, o ministro Vieira da Silva e os secretários de Estado,
Idália Moniz e Conde Rodrigues "foram muito entusiastas" na reunião
tida anteontem.