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Agressão dos filhos sobre os pais criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
04-Mai-2008
O número de queixas de agressões de filhos a pais não pára de aumentar em Portugal: se em 2006 a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) recebeu 349 denúncias de pais contra os filhos, no ano passado este tipo de violência doméstica disparou para 390 casos, uma subida de 12 por cento face a 2006. Os actos agressivos de jovens com idades entre 18 e 25 anos já representam 20 por cento do total das denúncias registadas pela APAV.


Os dados da APAV deixam claro que a maior taxa de crescimento das agressões aos pais ocorreu entre os filhos com idades compreendidas entre os 36 e os 45 anos, mas os adolescentes e os jovens adultos agridem também cada vez mais os progenitores. Em 2007 as agressões aos pais aumentaram 40 por cento nos filhos com idades entre 36 e 45; 32 por cento no universo dos filhos com idades entre os 18 e 25 e 23 por cento entre os filhos com idade até aos 17 anos. Por norma a APAV tem dificuldade em identificar o tipo de agressões praticadas, mas Elsa Beja, especialista desta Associação, diz que regra geral são 'maus tratos físicos e psicológicos'. Em concreto, 'a violência física vai de tareias a coisas menores como o empurrão ou o pontapé e os maus tratos psíquicos passam por chamar nomes e destruir a auto-estima dos pais', precisa. Elsa Beja garante que 'as agressões de filhos a pais é um fenómeno transversal: não escolhe sexo, idade, estrato social'. E garante que esta realidade 'atinge também as classes mais altas'.
Com as estatísticas a indicarem um crescimento da taxa de agressividades dos adolescentes face aos pais, os especialistas explicam este comportamento com o 'aumento do individualismo', na síntese de Ana Vasconcelos. Para esta especialista em pedopsiquiatria, 'os casais deixam de ter muitas vezes a preocupação em transmitir valores aos filhos'.

DISCURSO DIRECTO: 
'É PRECISO ASSUMIR PROBLEMA DA VIOLÊNCIA',
Joana Marques Vidal, presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

Correio da Manhã – Que razões explicam o aumento das agressões de filhos menores aos pais?

Joana Marques Vidal – Verifica-se de facto um aumento de casos sinalizados, quer nos gabinetes da APAV quer nas estatísticas oficiais das entidades policiais e dos tribunais. Não se sabe no entanto se esse aumento corresponde à existência de um maior número de casos ou se é reflexo de uma maior consciência sobre esta realidade.

– O fenómeno pode ser mais grave ainda?
– Pensamos que sim. Não é fácil um pai ou uma mãe reconhecer que o seu filho é capaz de ter comportamentos daqueles. E ainda é mais difícil assumir a possibilidade de se queixarem à polícia e aos tribunais.

– Os pais demitiram-se da sua responsabilidade?
– Nunca, como agora, se apelou tanto às responsabilidades dos pais. De certa forma nunca estes as assumiram tão claramente. O afecto e a compreensão são confundidos com a permissividade e ausência de imposição de limites. A recusa, justa, do autoritarismo, com falta de autoridade.

– Como se pode mudar esta situação?
– Assumir o problema da violência em geral e da violência dos filhos contra os pais como uma verdadeira questão de cidadania é fundamental. É imprescindível promover e incentivar o estudo científico e académico desta realidade.

'CRIANÇAS NÃO TÊM LIMITES'
Daniel Sampaio diz que 'as situações de agressividade dos filhos em relação aos pais, na parte final da adolescência, têm algum significado'. Para este especialista, 'as crianças crescem sem limites', dado que 'os pais, neste momento, têm dificuldade em manejar a disciplina'. E alerta para o facto de ser 'preciso impor limites e ajudar as crianças a escolher alternativas'.

ESCOLAS COM MAIS ACTOS VIOLENTOS
O aumento da violência dos mais jovens não é apenas visível em relação aos pais. Em 2007 a APAV registou uma subida nas queixas de agressões na escola, com o número de casos a atingir os 39 – um acréscimo de nove casos face aos registados em 2006.
Desse total de 39 agressões na escola destacam-se 12 entre colegas, quatro a conhecidos, dois a ex-namoradas. Segundo Elsa Beja, da APAV, este aumento do número de casos de agressões nas escolas explica-se em parte pela maior noção por parte das pessoas de que este tipo de situações é considerada crime'.

PORMENORES

PAIS BATEM MAIS
As queixas de agressões de pai e mãe aos filhos atingiram em 2007, segundo os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), 528 casos, um ligeiro aumento face às 521 denúncias registadas em 2006. Aquela Associação contabilizou 446 queixas em 2005.

CÔNJUGUES AGRIDEM
O cônjuge ou o companheiro/a também têm revelado, nos últimos anos, mais agressividade. De acordo com as estatísticas da APAV, em 2007 registaram--se 3906 queixas, contra 3826 (2006) e 3651 (2005).

VIZINHOS E PATRÕES
A APAVrecebeu também queixas de agressões praticadas por vizinhos e entidades patronais. No primeiro caso foram registadas 17 denúncias em 2007, contra cinco em 2006. No segundo foram contabilizadas quatro denúncias em 2007 contra três em 2006.

PADRASTO E AMIGOS
As queixas de agressões contra padrasto/madrasta e amigos abrandaram. Em 2007 a APAV registou 66 denúncias contra os primeiros (79 em 2006 e 61 em 2005). Em relação a amigos, as queixas variam entre cinco, em 2005, e quatro em 2007.

NETOS
A tendência de aumento das denúncias de agressões subiu também em relação aos netos: em 2007 foram 36, mais 12 do que no ano anterior

CORREIO DA MANHÃ | 04.05.2008 

Comentarios (2)add
... : Alberto Ruço
«?os especialistas explicam este comportamento com o aumento do individualismo, na síntese de Ana Vasconcelos. Para esta especialista em pedopsiquiatria, os casais deixam de ter muitas vezes a preocupação em transmitir valores aos filhos».

Estranho que este tema não tenha merecido comentários.

Não sei qual é a causa do problema, ou melhor as causas, pois quando entra o homem em cena o seu comportamento está sempre dependente de várias causas.
Mas sei que esta realidade, com esta expressão, não existia há uns 30 ou 40 anos atrás.
Um filho bater num pai era algo de inimaginável.
O que é que mudou em tão pouco tempo?

Como é que se transmitem valores aos filhos?
Primeiro: os pais só podem dar aos filhos aquilo que têm e o que têm nesta matéria é muitas vezes aquilo que receberam.
É necessário, por isso, que os pais tenham adquirido valores que promovam o bem estar social; a coesão entre as pessoas; a solidariedade; a noção de que não tenho o direito de prejudicar os outros e de que quando estou a agir estou a interferir com a vida dos outros.
Um exemplo: quem chega primeiro tem prioridade; logo, quem chega depois, deve ver quem está à sua frente e deve aguardar, com tranquilidade, o seu lugar e não passar à frente de ninguém.
Que pais aplicam esta regra numa fila, na estrada ( quando é de aplicar), no supermercado, numa repartição pública, etc.?

Não se pode transmitir aquilo que não se tem e neste campo só se tem aquilo que se sente e também só se leva à prática aquilo que se sente ou, então, se é coagido a fazer.
Segundo: os pais têm de agir e ser coerentes no dia-a-dia familiar e social com esses valores.
O palavreado, que é fácil, não é nada e pouco ou nada vale se não for seguido do exemplo.
No fundo só conseguimos transmitir os valores em que acreditamos.
Mas como acreditar e agir de acordo com valores que no dia-a-dia não nos dão vantagens?
Com efeito, se eu chego depois, mas passo à frente de quem já estava à espera (cabem aqui as apelidadas «cunhas»), tenho uma vantagem.
Porque é que vou ficar no meu lugar se puder passar à frente?

Quem transmite valores além dos pais?
O resto do mundo.
E que valores tem o «resto do mundo» para nos transmitir, a começar pela televisão?
E se as famílias, a viver em família, têm cada vez menor esperança de vida, quem fica para transmitir valores?
O resto do mundo.

07.Maio.2008
... : flavia : http://flavinha
nao sabemos mais lidar com nossos filhos .estam agressivos ao ponto de agredir
fisica e moralmente.tenho 31 anos tenho 1 filha de 14 anos que me agride .hoje ela agredio o pai nao sabemos o que fazer
15.Junho.2008
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