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No primeiro semestre da entrada em vigor da nova lei do aborto, de 15
de Julho a 31 Dezembro de 2007, um total de 6107 mulheres abortou a seu
pedido. Estes abortos custaram ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) 2,2
milhões de euros – 1,4 milhões pagos ao sector público e 828 mil entram
nos cofres das clínicas privadas. A manter-se este ritmo, as
interrupções voluntárias da gravidez (IVG) ao fim de um ano
ultrapassarão as 12 mil e o custo da factura ascenderá a 4,4 milhões de
euros.
Segundo dados da Direcção-Geral da Saúde, no segundo
semestre de 2007 realizou-se um total de 6287 abortos, dos quais 6107
foram feitos a pedido da mulher e apenas 179 IVG (2,86%) foram feitas
devido a razões médicas, resultantes de doença grave ou malformação
congénita do feto, perigo de morte ou lesão grave para a mãe, ou ainda
por violação. Desta última situação resultaram 12 gravidezes (0,2%).
De
acordo com os valores fixados em tabela pela portaria do Ministério da
Saúde, a interrupção da gravidez, até às 10 semanas de gestação,
realizada em ambulatório, é paga ao preço de 341 euros, no caso de uma
interrupção medicamentosa (recurso a comprimidos), e de 444 euros, caso
se trate de uma interrupção cirúrgica.
Ora, face
a estes custos, os 4241 abortos (69,46%) realizados no segundo semestre
de 2007 no sector público (hospitais e centros de Saúde) representaram
uma despesa de 1,4 milhões de euros, enquanto as 1865 IVG realizadas no
sector privado custaram ao SNS 828 mil euros.
A
legalização da IVG pretendeu acabar com os abortos clandestinos.
Questionado pelo CM, Francisco George, director-geral da Saúde (DGS),
afirmou ter conhecimento de apenas "dois casos suspeitos". "Foram duas
situações suspeitas que surgiram nas Urgências hospitalares devido a
complicações e foram devidamente investigadas."
SERVIÇO PÚBLICO DÁ RESPOSTA A 70% DOS CASOS
Jorge
Branco, coordenador nacional do Programa de Saúde Reprodutiva e
director da Maternidade Alfredo da Costa, afirmou ao CM que o dinheiro
despendido no Serviço Nacional de Saúde fica no sistema, não sendo
considerada uma despesa. "Os portugueses, quando decidiram
maioritariamente aprovar em referendo a intervenção legal da
interrupção voluntária da gravidez, sabiam que havia custos. Em todo o
caso, o serviço público tem uma capacidade de resposta muito grande, de
quase 70 por cento, o que é muito superior em relação a Espanha, que em
mais de 90 por cento dos casos tem de recorrer ao sector privado. O
dinheiro despendido no SNS fica no sistema hospitalar português, entra
nas contas gerais dos contratos-programa, não é considerado uma
despesa", explicou.
MADEIRENSES NÃO VÊM AO CONTINENTE
Nenhuma
grávida madeirense se deslocou ao Continente para efectuar um aborto
até às 10 semanas de gestação numa unidade de saúde pública ou
convencionada com o Serviço Nacional de Saúde . O desconhecimento de
casos foi transmitido ao CM pelo coordenador nacional do Programa de
Saúde Reprodutiva, Jorge Branco. "As mulheres açorianas de vez em
quando vêm às unidades de Saúde do Continente fazer a IVG quando as
unidades locais estão com mais dificuldade. Quanto às grávidas da
Madeira, não tenho qualquer conhecimento, não sei de nenhuma mulher que
tenha recorrido às unidades de Saúde do Continente."
CORREIO DA MANHÃ | 22.06.2008
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