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Portugal registou quase 400 mil crimes durante o ano. Lisboa, Porto, Setúbal, Faro, Braga e Aveiro têm 71% do crime. Mas relatório de Segurança Interna desvaloriza sentimento de insegurança.
Portugal
registou no ano de 2007 quase 400 mil crimes - precisamente 391 611,
mais 526 do que no ano anterior. Uma subida pouco significativa,
segundo refere o relatório de segurança interna, elaborado com base nos
crimes participados à PSP, GNR e PJ, e que foi entregue esta semana aos
partidos com assento na Assembleia da República para análise. De
acordo com o documento, a que o DN teve acesso, a GNR registou 184 942
casos, o que representa uma diminuição da criminalidade na sua área de
1,3% em relação a 2006. A PSP apenas registou mais 13 casos do que no
ano anterior, atingindo um total de 186 742. À Polícia Judiciária foram
participados 1800 crimes. Lisboa, Porto, Setúbal, Faro, Braga e Aveiro
reúnem 71% do crime total.
Quanto à criminalidade violenta, o
relatório indica uma diminuição de 10,5%, o valor mais baixo dos
últimos seis anos, com os homicídios consumados e as ofensas à
integridade física, como as violações, a registaram os valores mais
baixos da última década. Os crimes de rapto, sequestro, tomada de
reféns, de bancos e de outros estabelecimentos de crédito também
desceram.
Para o Gabinete Coordenador de Segurança, autor do
relatório, esta diminuição representa uma tendência "inversa ao
sentimento de insegurança e de medo do crime registados na sociedade".
Um sentimento que, sublinha o documento, se deve ao surgimento de novos
fenómenos criminais marcados por uma actuação "mais violenta e
organizada" mediatizados. É o caso do crime de carjacking (roubo de
viaturas com recurso à violência), o qual tem vindo sempre a aumentar
desde o ano de 2003, tendo registado em 2007 uma subida acentuada,
cerca de 34%.
De acordo com o relatório, as excepções são: o crime
rodoviário, nomeadamente o da condução sob o efeito de álcool, com
taxas superiores a 1,2gr/l, que registou mais 2840 casos do que em
2006, a violência doméstica, com mais 2225 crimes, e a criminalidade
global, traduzida nos furtos de carteirista e outros, com mais 3915
casos. Nas várias categorias do crime, o contra o património continua
em primeiro lugar com 54% do número total, embora tenha tido uma
descida de um por cento, com as maiores reduções nos crimes de furto em
e de veículos e em residências. Segue-se o crime contra as pessoas com
24% do total, mas também com uma redução de 1,4%. Os crimes contra a
vida em sociedade passaram a representar 11% da criminalidade global,
registando uma subida de 6,1%. Este aumento teve por base um maior
número de crimes de moeda falsa, incêndios e condução de veículos sob o
efeito do álcool. Os crimes contra o Estado continuam a registar um
baixo número de participações, cerca de 2,9% do crime geral.
Corta e cola de 2006 para 2007
O relatório de segurança interna (RSI) de 2007,
agora entregue na Assembleia da República, contém partes que são cópias
integrais do relatório de 2006. Isso verifica-se, por exemplo, na parte
relativa ao SIS (Serviço de Informações de Segurança). No RSI de 2006
lia-se, no primeiro parágrafo: "No âmbito da criminalidade organizada e
contra-subversão foram desenvolvidas linhas de trabalho visando a
prevenção e o combate ao crime de branqueamento de capitais,
narcotráfico e imigração ilegal." No de 2007 lê-se exactamente o mesmo,
apenas sendo substituída a expressão "visando" por "no âmbito". É
também copiada a afirmação de que o "terrorismo islamista" continuou a
"justificar o investimento do SIS no seu acompanhamento". E mantém-se
ipsis verbis a que a extrema-direita nacional "não configura uma ameaça
global ao Estado de Direito."
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 02.04.2008
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