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400 mil crimes durante 2007
02-Abr-2008

Portugal registou quase 400 mil crimes durante o ano. Lisboa, Porto, Setúbal, Faro, Braga e Aveiro têm 71% do crime. Mas relatório de Segurança Interna desvaloriza sentimento de insegurança.

Portugal registou no ano de 2007 quase 400 mil crimes - precisamente 391 611, mais 526 do que no ano anterior. Uma subida pouco significativa, segundo refere o relatório de segurança interna, elaborado com base nos crimes participados à PSP, GNR e PJ, e que foi entregue esta semana aos partidos com assento na Assembleia da República para análise. De acordo com o documento, a que o DN teve acesso, a GNR registou 184 942 casos, o que representa uma diminuição da criminalidade na sua área de 1,3% em relação a 2006. A PSP apenas registou mais 13 casos do que no ano anterior, atingindo um total de 186 742. À Polícia Judiciária foram participados 1800 crimes. Lisboa, Porto, Setúbal, Faro, Braga e Aveiro reúnem 71% do crime total.
Quanto à criminalidade violenta, o relatório indica uma diminuição de 10,5%, o valor mais baixo dos últimos seis anos, com os homicídios consumados e as ofensas à integridade física, como as violações, a registaram os valores mais baixos da última década. Os crimes de rapto, sequestro, tomada de reféns, de bancos e de outros estabelecimentos de crédito também desceram.
Para o Gabinete Coordenador de Segurança, autor do relatório, esta diminuição representa uma tendência "inversa ao sentimento de insegurança e de medo do crime registados na sociedade". Um sentimento que, sublinha o documento, se deve ao surgimento de novos fenómenos criminais marcados por uma actuação "mais violenta e organizada" mediatizados. É o caso do crime de carjacking (roubo de viaturas com recurso à violência), o qual tem vindo sempre a aumentar desde o ano de 2003, tendo registado em 2007 uma subida acentuada, cerca de 34%.
De acordo com o relatório, as excepções são: o crime rodoviário, nomeadamente o da condução sob o efeito de álcool, com taxas superiores a 1,2gr/l, que registou mais 2840 casos do que em 2006, a violência doméstica, com mais 2225 crimes, e a criminalidade global, traduzida nos furtos de carteirista e outros, com mais 3915 casos. Nas várias categorias do crime, o contra o património continua em primeiro lugar com 54% do número total, embora tenha tido uma descida de um por cento, com as maiores reduções nos crimes de furto em e de veículos e em residências. Segue-se o crime contra as pessoas com 24% do total, mas também com uma redução de 1,4%. Os crimes contra a vida em sociedade passaram a representar 11% da criminalidade global, registando uma subida de 6,1%. Este aumento teve por base um maior número de crimes de moeda falsa, incêndios e condução de veículos sob o efeito do álcool. Os crimes contra o Estado continuam a registar um baixo número de participações, cerca de 2,9% do crime geral.

Corta e cola de 2006 para 2007
O relatório de segurança interna (RSI) de 2007, agora entregue na Assembleia da República, contém partes que são cópias integrais do relatório de 2006. Isso verifica-se, por exemplo, na parte relativa ao SIS (Serviço de Informações de Segurança). No RSI de 2006 lia-se, no primeiro parágrafo: "No âmbito da criminalidade organizada e contra-subversão foram desenvolvidas linhas de trabalho visando a prevenção e o combate ao crime de branqueamento de capitais, narcotráfico e imigração ilegal." No de 2007 lê-se exactamente o mesmo, apenas sendo substituída a expressão "visando" por "no âmbito". É também copiada a afirmação de que o "terrorismo islamista" continuou a "justificar o investimento do SIS no seu acompanhamento". E mantém-se ipsis verbis a que a extrema-direita nacional "não configura uma ameaça global ao Estado de Direito."

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 02.04.2008 

 

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