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237 funcionários do MJ em mobilidade criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
17-Out-2007
O Ministério da justiça enviou esta semana para as Finanças a proposta de colocação em regime de mobilidade especial de 327 funcionários, disse ao Jornal de Negócios o secretário de Estado Adjunto, José Conde Rodrigues. São provenientes das carreiras administrativa, auxiliar e operária e exerciam funções "que hoje já não têm utilidade para o ministério, que entretanto se modernizou tecnologicamente e concentrou e racionalizou serviços", explica o responsável. Os serviços mais afectados com esta redução de efectivos serão a Direcção-geral da Reinserção Social, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e, ainda, o Instituto dos Registos e do Notariado. "Tendo em conta os objectivos delineados no PRACE, esta é a nossa proposta. Contudo, trata-se de um processo contínuo", admite Conde Rodrigues.

Para já não haverá mais pessoas a dispensar, mas o ministério tem em curso vários processos de reforço em várias áreas. "Neste momento estamos a recrutar 300 novos oficiais de justiça, 150 inspectores para a Policia judiciária e 50 especialistas técnicos", exemplifica. E há "áreas nevrálgicas" que, dentro em breve, vão obrigar a acções semelhantes. Um exemplo: na sequência das recentes alterações à legislação penal, foi alargado o âmbito da permanência na habitação com pulseira electrónica, podendo mesmo este sistema substituir a pena de prisão efectiva até um ano. Ora, isto vai obrigar, não só a reajustar os meios técnicos, como também os meios humanos, explica Conde Rodrigues.

Custos na ordem dos três milhões de euros
A justiça estima em cerca de três milhões de euros os custos com o envio destes 327 funcionários para a mobilidade especial. Não há um perfil genérico do grupo, mas não deverão ser pessoas com elevados salários e a maioria há muitos anos que integrava os quadros do Ministério.
Conde Rodrigues sublinha que são sobretudo funções que perderam completamente a razão de ser E dá um exemplo: até à recente reestruturação, continuava a haver pessoas com a função de "apanhador de gado". Trabalhavam em quintas com centros educativos, integradas nos programas de reinserção social que há anos desapareceram.
São também pessoas que, pelas funções que desempenhavam, dificilmente voltarão a conseguir um emprego na função pública. Para já, nos primeiros dois meses em mobilidade especial, mantêm o salário base e podem ser chamados a fazer acções de formação para serem integrados noutros serviços. Após esse período e durante os dez meses seguintes, caso continuem sem colocação, sofrem um corte de 17% na remuneração e são obrigados a frequentar acções de requalificação ou a desenvolver um plano de desenvolvimento pessoal. Passado este primeiro ano, os que não encontrem um novo posto de trabalho sofrem um corte de 33% no salário.

1.232 pessoas na lista até fim de Setembro
A 30 de Setembro, o número de funcionários públicos em situação de mobilidade especial ascendia a 1.232. As contas são do Governo, que colocou o número no Relatório da Proposta de Orçamento do Estado para 2008, apresentada na semana passada. De acordo com este último balanço, 1.072 destas pessoas estavam disponíveis para colocação, ficando de fora os restantes 160 (por exemplo, por se encontrarem de baixa médica, com licença de maternidade ou a beneficiar de um período de licença sem vencimento).
O Ministério da Agricultura foi o grande pioneiro e a grande maioria da lista continua a ser preenchida por nomes indicados por Jaime Silva (no início de Setembro eram 871). Os restantes são de ministérios como as Finanças, a Economia e Inovação e a Cultura. Já na semana passada, o Ministério da Educação admitia colocar em mobilidade especial cerca de 2.500 professores, mas isso não será para já. Teixeira dos Santos afirmou recentemente em entrevista que até ao final do ano seriam 2.000, mas não foi possível apurar se os 327 agora indicados pela Justiça fazem parte desse total.

JORNAL DE NEGÓCIOS | 17.10.2007 

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